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Acidentes do trabalho batem recorde no Brasil e reforçam alerta por prevenção

Levantamento do MTE aponta mais de 3,6 mil mortes em 2025; procuradora destaca impacto de riscos psicossociais e mudanças climáticas na saúde dos trabalhadores

30.04.2026 | BRASÍLIA (DF) Em evento que marcou o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho (28 de abril), a vice-coordenadora nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Codemat) do Ministério do Trabalho (MPT), Gisela Nabuco Sousa, disse que é necessário avançar na construção de uma cultura de prevenção de acidentes do trabalho no Brasil. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que o Brasil registrou, em 2025, 806.011 acidentes do trabalho e 3.644 mortes — o maior número da série histórica. Entre 2016 e 2025, foram contabilizados 6,4 milhões de acidentes e 27.486 óbitos, além de mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos.

Adoecer ou se acidentar no trabalho não é normal, não é aceitável. É necessário eliminar ou minimizar os riscos na origem. A construção de uma cultura de prevenção é um processo contínuo que depende do engajamento de instituições públicas, empregadores e trabalhadores”, afirmou Gisela Sousa, acrescentando que dados do Ministério da Saúde mostram que a letalidade dos acidentes do trabalho no Brasil superam a taxa de mortalidade em decorrência de dengue, chicungunha e sífilis, por exemplo.

O estudo divulgado pelo MTE consolida o panorama dos acidentes do trabalho no Brasil entre 2016 e 2025, com base em registros oficiais do INSS e do eSocial. Apesar do aumento em números absolutos, o estudo aponta uma redução da taxa de incidência ao longo da década — de 29,39 para 17,94 acidentes por 100 mil trabalhadores —, indicando que o crescimento do emprego formal contribuiu para diluir o risco médio. Ainda assim, o volume total de ocorrências evidencia a necessidade de fortalecer as políticas de prevenção e melhorar as condições de trabalho.

Acidentes do trabalho batem recorde no Brasil e reforçam alerta por prevenção
Acidentes do trabalho batem recorde no Brasil e reforçam alerta por prevenção

A análise setorial revela diferentes perfis de risco. O setor de saúde, especialmente atividades hospitalares e de pronto atendimento, concentra o maior número de acidentes, somando quase 633 mil registros no período. Já o transporte rodoviário de carga lidera em número de mortes, com 2.601 óbitos, destacando-se como atividade de maior gravidade. Também chamam atenção segmentos com alta exposição relativa, como obras de montagem industrial, que apresentam uma das maiores taxas de incidência do país.

Entre as ocupações, os técnicos de enfermagem registram o maior número de acidentes, enquanto os motoristas de caminhão concentram o maior número de mortes — foram 4.249 óbitos em dez anos, média superior a um por dia. O estudo também evidencia a diversidade de riscos no mercado de trabalho, incluindo fatores como acidentes de trajeto e violência em determinadas atividades, como vigilância.

Regionalmente, os dados refletem o peso econômico dos estados. São Paulo (SP) concentra o maior volume absoluto de acidentes e mortes, respondendo por mais de um terço dos registros. Por outro lado, estados como Mato Grosso (MT), Tocantins (TO) e Maranhão (MA) apresentam taxas mais elevadas de letalidade, indicando maior gravidade dos acidentes. O Mato Grosso se destaca por combinar alta incidência e elevada letalidade, cenário associado a atividades como agronegócio, transporte e construção.

O levantamento também aponta mudanças no perfil dos acidentes. Os casos típicos seguem predominantes (64,6%), mas os acidentes de trajeto ganham relevância. As doenças ocupacionais tiveram aumento expressivo em 2020, influenciadas pela pandemia. Outro destaque é o crescimento da participação feminina, que passou a representar 34,2% dos registros, com aumento de 48% ao longo da série, especialmente em setores como saúde e serviços.

Produzido por auditores-fiscais do Trabalho, o estudo reforça a importância da informação qualificada na formulação de políticas públicas e no direcionamento das ações de inspeção.

Abril Verde

Em seu discurso, Gisela Sousa falou sobre a campanha Abril Verde deste ano, sobre os desafios contemporâneos que impactam diretamente o mundo do trabalho, especialmente a relação entre mudanças climáticas e saúde mental. “As transformações ambientais exacerbam riscos ocupacionais, ampliam vulnerabilidades e impactam diretamente as funções de trabalho”, disse. Ela também destacou fatores como sobrecarga, jornadas excessivas, hiperconectividade, assédio moral e precarização das relações laborais como determinantes para o aumento do adoecimento psíquico.

De acordo com estimativa recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mencionada pela procuradora, fatores de risco psicossociais são responsáveis por mais de 840 mil mortes anuais no mundo, associadas a doenças cardiovasculares e transtornos mentais. Gisela ressaltou a importância de medidas normativas, como a atualização da Norma Regulamentadora n. 1 (NR-1), que entrará em vigor em 26 de maio e passará a exigir a inclusão de riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais.

No campo psicossocial, prevenir significa reorganizar o trabalho para que ele seja viável, sustentável e humano. Significa estabelecer metas realistas, garantir pausas efetivas e respeitar o direito à desconexão”, afirmou.

*Com informações do MTE

Foto: Ubirajara Machado/MPT

Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso
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