Diálogo e Gestão: MPT-MT promove 2ª Reunião Geral com foco em integração e resultados
12.08.2026 | CUIABÁ O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) realizou, na última quarta-feira (5), no auditório da Procuradoria Regional do Trabalho da 23ª Região (PRT23), em Cuiabá, a 2ª Reunião Geral: Diálogo e Gestão. O encontro reuniu mais de 55 pessoas, entre servidores(as), procuradores(as), estagiários(as) e terceirizados(as), e foi transmitido ao vivo para as Procuradorias do Trabalho nos Municípios (PTMs) de Rondonópolis e Sinop.
Na abertura, a procuradora-chefe do MPT-MT, Thaylise Campos Coleta de Souza Zaffani, pontuou que o evento tem como objetivo dividir resultados, apresentar projetos e iniciativas institucionais e demonstrar, na prática, como o trabalho de cada integrante contribui para o cumprimento da missão do órgão e para a construção de um ambiente de trabalho cada vez mais colaborativo, eficiente e comprometido com a excelência no serviço público.
“Hoje celebramos a segunda edição do nosso evento. Aproveito para convidá-los a acompanhar o nosso Instagram, que tem vídeos e entrevistas de excelente qualidade sobre as destinações, um tema que é muito caro para mim e para o MPT. Também reforço que a participação de cada um de vocês é fundamental para fortalecer este trabalho coletivo: as ideias, feedbacks e presença fazem toda a diferença”, asseverou Zaffani.
Coordenadorias temáticas
A programação contou, ainda, com uma apresentação do coordenador regional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Codemat) do MPT-MT, procurador do Trabalho Bruno Choairy, que abordou as principais frentes de atuação da Coordenadoria para promover ambientes de trabalho seguros, saudáveis e dignos.
“A gente sabe que o meio ambiente do trabalho adequado é um direito fundamental, previsto na Constituição e em normas internacionais. E um dos temas prioritários do MPT é justamente garantir que esse meio ambiente de trabalho seja saudável, seguro, que proporcione bem-estar aos trabalhadores. Isso se apresenta nos procedimentos de forma muito variada, mas a ideia fundamental no meio ambiente de trabalho é você identificar os riscos, circunstâncias, elementos que podem causar algum prejuízo ao trabalhador, e buscar medidas para que esses riscos sejam prevenidos.”
Ao apresentar os projetos desenvolvidos pela Codemat, o procurador falou sobre a importância do combate à subnotificação de acidentes de trabalho. Segundo Choairy, o registro e a análise dessas ocorrências são fundamentais para identificar suas causas e evitar que se repitam. Nesse contexto, defendeu que a investigação vá além da descrição do evento, contemplando também fatores relacionados à organização e à gestão do trabalho.
“Se você não notifica, se você não reconhece que aqueles adoecimentos e acidentes são vinculados ao trabalho, você nunca vai adotar nenhuma providência para combatê-los. Isso, assim, em tudo na vida. Se a gente não reconhece o problema, jamais vai conseguir combater, superar ele. O acidente acontece, a gente não notifica, não olha para isso, e aí ele volta a acontecer. E acontece porque a gente não atuou nas causas desse problema. Então, esse projeto é muito importante.”
Ele também apresentou iniciativas voltadas à promoção da saúde mental, destacando que os riscos ocupacionais incluem também aspectos psicossociais, como metas excessivas, falhas de comunicação e formas inadequadas de organização do trabalho, capazes de desencadear o adoecimento mental.
“Com o projeto ‘Saúde Mental’, partimos da ideia de que o meio ambiente do trabalho envolve tudo, não necessariamente só aqueles elementos físicos palpáveis. Então, não é só a máquina, a baixa temperatura, o risco de queda, há também fatores não tangíveis, fatores imateriais, como os riscos psicossociais, que dizem respeito à forma como o trabalho é prestado, à existência de metas exageradas ou pressão excessiva. Às vezes, existe uma falta de clareza na comunicação entre o trabalhador e o superior, que pode gerar um risco psicossocial capaz de desencadear processos de adoecimento mental dos trabalhadores.”
Outro destaque foi o projeto Impactos das Mudanças Climáticas no Meio Ambiente do Trabalho, que incentiva empresas com trabalhadores expostos a condições climáticas adversas a adotarem medidas preventivas, como ajustes na jornada, pausas para recuperação térmica e adequação das atividades e dos equipamentos de proteção.
“E aqui em Mato Grosso é bem importante, porque a gente tem situações climáticas bastante diversas, principalmente nessa época do ano (agosto, setembro). E aqui a ideia é que as empresas que têm trabalhadores mais expostos a esses riscos — temperaturas muito altas, fumaça, umidade muito baixa, como os trabalhadores que trabalham a céu aberto — estipulem medidas adequadas de proteção. A empresa precisa ter esse olhar de que essas condições climáticas adversas, essas situações extremas, têm que ser devidamente consideradas.”
Ética em pauta
Em seguida, os servidores Érico Alexandre Carli e Onésimo Nunes Rocha Filho apresentaram a Comissão Permanente de Ética e Conduta (CPE) da PRT23. Durante a exposição, explicaram brevemente o papel da Comissão e divulgaram sua nova composição. Carli, presidente da CPE, orientou que demandas relacionadas ao tema sejam encaminhadas diretamente aos(às) integrantes.
Rocha Filho, integrante da CPE/PRT23, escolheu como pauta o cumprimento das regras do estacionamento e refletiu sobre a importância da ética nas relações interpessoais no trabalho.
Talento da Casa
Encerrando a programação, a servidora Marilene de Jesus participou do quadro Talento da Casa, iniciativa que busca valorizar as habilidades, a criatividade e a sensibilidade dos integrantes da instituição.
Há quase 18 anos no MPT, Marilene compartilhou sua trajetória e apresentou trabalhos que unem o crochê e a reciclagem, com o reaproveitamento de materiais como garrafas PET, tampas de latinha e rolos de papel higiênico.
“A minha trajetória na questão da reciclagem começou lá em 1996, quando eu fiz o curso de Ciências Sociais na Unirondon, e lá a professora passou um filme que me impactou bastante e me deixou preocupada com a situação do meio ambiente. Nessa época, eu não tinha neto ainda, mas eu pensava: ‘Meu Deus, como que vai ser, será que ele vai conhecer o mar? Será que ele vai conhecer o meio ambiente sadio?’. E aí, em 1998, veio a Associação de Mulheres da Periferia. Nessa Associação, as mulheres precisavam de alguma ideia que as ajudasse na geração de renda. Com isso surgiu a oportunidade de trabalhar com a reciclagem. Comecei a aprender para ensinar as minhas colegas, minhas meninas.”
Ela afirmou, ainda, que a reciclagem representa um compromisso que começa dentro de casa. “Eu percebi que quando a gente se levanta, a gente faz uma política pelo meio ambiente”, complementou. “A reciclagem é um leque de aprendizado, de questionamento, tem que ter com a nossa família, tem que dar o exemplo em casa, para poder passar para os outros”, disse.
Hoje, em seu trabalho voluntário com idosos e diante dos desafios pessoais enfrentados nos últimos anos, conta que a reciclagem também se tornou uma forma de terapia. “A reciclagem é muito importante na vida da gente porque ajuda justamente nos momentos em que mais precisamos de apoio. Tudo isso que eu faço, por exemplo, sai daqui. Em vez de jogar no lixo, a gente transforma em algo que pode levar alegria para outra pessoa.”
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