Comissão de Ações Afirmativas destina R$ 700 mil para ala de saúde do Abrigo Bom Jesus
26.05.2026 | CUIABÁ As sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC) fizeram com que Nadir Kapriec, de 79 anos, perdesse a mobilidade. Acamada e sem parentes que possam auxiliá-la no dia a dia, passou a morar no Abrigo Bom Jesus, em Cuiabá. Ela e outras 19 pessoas serão acolhidas na nova ala de saúde que está em construção na entidade
O projeto da obra, no valor de R$ 700 mil, foi aprovado pela Comissão Interinstitucional de Ações Afirmativas, formada pelo Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT), Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT) e Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT).
O presidente do TRT-MT, desembargador Aguimar Peixoto, esteve no local na última terça (20). O magistrado foi voluntário no abrigo por mais de 15 anos e conhece de perto o trabalho desenvolvido pela fundação. “Fiquei muito feliz em conseguirmos aprovar os valores para o Abrigo Bom Jesus, dada a relevância social de suas ações”, afirmou.
A procuradora-chefe do MPT-MT, Thaylise Campos Coleta de Souza Zaffani, explicou como as condenações obtidas pelo órgão em Ações Civil Públicas (ACPs) são aplicadas. “Os valores são decorrentes de condenações em ações coletivas propostas pelo MPT — e julgadas pela Justiça do Trabalho — contra empresas ou empregadores que cometerem ilícitos trabalhistas. Nossa atuação não é apenas repressiva, mas também promocional; por isso, buscamos que as indenizações por dano moral coletivo efetivamente retornem à sociedade que sofreu o dano. Por meio da Comissão Interinstitucional de Ações Afirmativas, garantimos que os recursos provenientes das ACPs sejam repassados a iniciativas que promovam o interesse público e a proteção dos trabalhadores.”
A presidente do Abrigo Bom Jesus, Márcia Ferreira, explicou como o novo prédio irá melhorar o atendimento prestado aos(às) idosos(as). “No local funcionará a ala de saúde da instituição. Assim, os atendimentos médicos, de enfermagem, nutrição, psicologia e farmácia, que já realizamos atualmente, passarão a contar com salas amplas e mais estruturadas.”
A dirigente ressaltou também que o espaço ampliará a capacidade de atendimento. “Hoje, cuidamos de 100 idosos e, ao transferir os serviços de saúde para o novo prédio, iremos liberar salas que poderão receber pelo menos mais 30 pessoas — que atualmente aguardam na lista de espera da Prefeitura de Cuiabá”, disse.
O novo pavimento também contará com dois quartos destinados a pacientes que necessitam de atendimento integral, como dona Nadir, que vive no local há cerca de um ano. “Eu escolhi viver aqui, onde me sinto bem cuidada e menos vulnerável do que me sentia antes. Acho que fiz uma boa escolha”, avalia.
Obra
A construção da ala de saúde do Abrigo Bom Jesus já está em andamento. A edificação possui 842 m² e está orçada em cerca de R$ 3 milhões. Por conta do alto custo, a obra foi dividida em quatro etapas. A primeira delas foi executada com recursos repassados pelo Ministério Público Estadual (MPMT), utilizados para erguer paredes e construir as lajes.
Na segunda etapa, os recursos destinados pela Comissão Interinstitucional de Ações Afirmativas serão usados na instalação da estrutura metálica que sustentará o telhado, aquisição de telhas e impermeabilização da cobertura do prédio. O valor também permitirá a execução do revestimento interno e externo, além da instalação de calhas, rufos e pingadeiras. A obra deverá ser concluída em seis meses.
Ações Afirmativas
Os valores destinados a projetos como o do Abrigo Bom Jesus dependem da aprovação das propostas pela Comissão Interinstitucional de Ações Afirmativas, composta pelo MPT-MT, TRT-MT e OAB/MT. Os recursos são provenientes de condenações em ações civis coletivas, indenizações por dano moral coletivo e multas decorrentes do descumprimento de Termos de Ajuste de Conduta (TACs).
As propostas encaminhadas precisam estar alinhadas à promoção dos direitos trabalhistas, à reparação de danos causados aos(às) trabalhadores(as), à prevenção de novas violações e ao fortalecimento de entidades que atuem na defesa desses direitos.
*Com informações do TRT-MT
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