Abril Verde: MPT-MT promove audiência coletiva para debater riscos psicossociais no meio ambiente de trabalho
16.04.2026 | CUIABÁ – O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) promoveu, na última quarta-feira (15), audiência coletiva com o objetivo de debater a prevenção do adoecimento psicossocial dos(as) trabalhadores(as). A iniciativa faz parte do projeto nacional Saúde Mental no Trabalho, que integra a campanha Abril Verde.
A audiência foi conduzida pelo coordenador regional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Codemat) do MPT-MT, procurador do Trabalho Bruno Choairy Cunha de Lima. Cerca de 45 pessoas compareceram ao auditório João Bosco Penido Burnier, no edifício-sede da Procuradoria Regional do Trabalho da 23ª Região (PRT23), em Cuiabá, e acompanharam presencialmente o evento, que também foi transmitido pelo Microsoft Teams.
Foram convidadas a participar as 20 empresas com os maiores índices de afastamentos motivados por transtornos psicossociais, de acordo com o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), além de Centros de Referência em Saúde do(a) Trabalhador(a) (Cerests) em atuação no estado, sindicatos e federações.
O Brasil registrou, em 2025, a concessão de 540 mil afastamentos previdenciários relacionados a transtornos mentais e comportamentais. Segundo Choairy, os riscos psicossociais estão diretamente relacionados à forma como o trabalho é organizado e às relações estabelecidas no ambiente profissional. “Nas relações interpessoais, os trabalhadores são pessoas que trabalham em setores e em grupos que se relacionam. Então, as empresas têm que prezar para que elas [as relações] sejam equilibradas e para que elas sejam boas. Caso contrário, se você degradar essa relação, você vai contribuir para os riscos”, alerta.
Durante a exposição, foram apresentados os principais fatores de riscos psicossociais previstos na Norma Regulamentadora n. 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), entre eles a sobrecarga de trabalho, prazos excessivamente curtos, deficiência de pessoal, comunicação inadequada e ausência de clareza na definição de tarefas. Também foram discutidos aspectos relacionados à pressão constante por resultados, metas desproporcionais e falta de reconhecimento profissional — situações que podem gerar estresse e contribuir para o adoecimento mental.
Clima organizacional e atuação conjunta
Outro ponto destacado foi a importância da qualidade das relações interpessoais no ambiente de trabalho. Conflitos recorrentes, centralização excessiva das decisões, limitação da participação dos(as) trabalhadores(as) e práticas de assédio, com humilhações e discriminação, foram apontados como fatores capazes de comprometer o clima organizacional e favorecer o surgimento de agravos relacionados ao trabalho.
A enfermeira Cristiane Cássia Mendes, da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá, que atua na Vigilância em Saúde do Trabalhador, ressaltou a relevância da atuação conjunta entre instituições para o fortalecimento do debate. “A gente percebe que, a partir do momento em que o Ministério Público do Trabalho (MPT) intensificou essa parceria, muitas coisas começaram a andar. Conseguimos ampliar as notificações e melhorar os números. Esse trabalho é extremamente fundamental para a vigilância em saúde”, destacou.
Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso
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